jueves, 29 de septiembre de 2011

PARA PENSAR

PROMOTORES DE MISSÕES




Teve uma raça de pais que pôde ter levantado uma raça de missionários. Citarei o exemplo de uma anciã morava. Uma amiga a visitou com a tristeza refletindo-se em suas miradas: “Seu filho –lhe disse a amiga--, foi-se.--Se foi Tomás ao céu? Caiu ocupando seu posto nas atividades missionárias? ¡Quanto quisesse que Deus chamasse agora a meu filho Juan à obra! Pouco depois Juan era também missionário e também caiu. Nesta ocasião, a comissão que veio participar-lhe a notícia à mãe, manifestava-se muito triste; mas antes de que alguma das pessoas que a formavam tivesse aberto seus lábios, a anciã exclamou: ¡Oxalá que ele chamasse agora à obra a meu último filho, a Guillermo!” E Guillermo também foi e caiu, e esta vez a nobre mulher disse: “¡Quanto quisesse ter mil filhos que lhe dar a Deus”.

jueves, 28 de julio de 2011

ORAR E CLAMAR



Por Smith Wigglesworth

“Existem muitas igrejas onde jamais se faz o tipo de oração de At. 4:31. É uma igreja que não sabe orar e clamar, nunca será sacudida. Se você freqüenta um lugar como esse, pode muito bem dizer: “Icabode – a glória do Senhor se retirou de sobre o átrio”. Somente quando os homens aprendem o segredo da oração e da adoração, é que Deus se aproxima. Quando todo o povo comparecer, orar e adorar como fizeram os primeiros discípulos, algo acontecerá. Os que estiverem presentes vão pegar fogo e querer voltar. Contudo, não terão nenhuma utilidade num lugar onde tudo é formal, seco e morto. Está na hora do povo de Deus aprender como clamar com fé enquanto contemplam o poder eterno de nosso Deus, para Quem é perfeitamente possível ressuscitar os mortos. Você deve aprender e se apropriar da vitória e gritar na cara do diabo: “Está feito”!. Não há ninguém que possa duvidar se aprende a clamar. Tudo será diferente e coisas tremendas acontecerão.”

NÃO ENVIE MISSIONÁRIO...


Não envie missionário se fores esquecê-lo;
Não envie missionário se não queres mantê-lo;
Não envie missionário se não queres ajudá-lo;
Não envie missionário se queres só retorno financeiro;
Não envie missionário só com palavras sem ação de fato;
Não envie missionário para cobrar resultados rápidos;
Não envie missionário se julgar que um missionário é um super homem;
Não envie missionário só para fazer nome;
Não envie missionário se vai deixar falta-lhe o pão;
Não envie missionário se vai faltar-lhe comunicação;
Não envie missionário se teu coração não for com ele;
Não envie missionário se não é capaz de amá-lo;

Somente envie missionário se há em tua vida e coração amor e compromisso com missões!

AS OFERTAS: UMA PROVA SEGURA DO CARÁCTER DE QUEM DÁ



Por Andrew Murray

No mundo, o dinheiro é um padrão ou um certo critério de valor. É difícil expressar tudo o que o dinheiro significa para nós. É o símbolo do trabalho, da actividade, do talento. É com frequência uma amostra da bênção de Deus para com esforços diligentes. É o equivalente a uma grande parte de tudo quanto se pode ter ao serviço da mente e do corpo, da propriedade, do conforto ou do luxo, da influência e poder. Não é de estranhar que o mundo o ame, procure adquiri-lo e, com frequência, lhe rende adoração. Não é de admirar que seja o padrão de todos os valores, não apenas para coisas materiais, como também do próprio homem e, que, o homem, seja frequentemente medido pelo dinheiro que possui ou não.

Sem dúvida que, embora sob um princípio diferente, o homem é julgado não apenas pelo seu dinheiro no reino deste mundo, como também no reino dos céus o será com toda a certeza. O mundo se questiona: Quanto é que este indivíduo tem? Cristo pergunta: Como será que este homem usa o que tem? O mundo pensa, sobretudo, em ganhar dinheiro; Cristo, na melhor forma de vir a dá-lo. E quando um homem dá, o mundo ainda pergunta: Quanto dá? Cristo pergunta: Como deu? O mundo leva em conta o dinheiro e sua quantidade; Cristo, o homem que dá e seus motivos.

Isto pode ser visto na história da viúva pobre. Muitos que eram ricos davam muito, mas faziam-no «do que lhes sobrava». Não precisavam fazer nenhum sacrifício para poderem dar; a vida deles era tão boa e confortável tanto antes como depois de haverem dado, em nada mudava pela oferta; não lhes tinha custado nada. Não existia nenhum amor ou devoção especial a Deus em suas ofertas; apenas faziam parte de uma religião fácil e tradicional. A viúva doou duas moedinhas. Tirou do seu próprio sustento aquilo que deu. Deu tudo a Deus, sem reservas, sem nada reter. Deu tudo.

Como é diferente nosso critério para julgar as coisas de Cristo! Nós perguntamos quanto um indivíduo dá. Cristo pergunta quanto lhe resta. Nós olhamos a oferta. Cristo pergunta se a oferta foi um sacrifício. A viúva não ficou com nada para si, deu tudo. Esta doação ganhou a aprovação cordial de Jesus, por ter sido doada com espírito de sacrifício, como foi o Seu que, sendo rico, se fez pobre por amor a nós. Os outros deram muito, mas do que lhes sobrava; ela deu do que precisava, tudo quanto possuía e tinha.

Mas se nosso Senhor deseja que façamos o que ela fez, por que não nos deixou ordens específicas e claras sobre este assunto? Quanto nos alegraríamos quando ofertássemos. Ah, este é o centro fulcral da questão! Precisamos de uma ordem para o fazer! Este é precisamente o espírito do mundo na igreja, olhando o que damos, a quantia que damos. E isto é precisamente o que Cristo não quer nem aceita. Ele quer o amor generoso, o que dá sem que seja preciso mandar. Quer que toda a oferta saia ensopada no amor, uma verdadeira oferta voluntária. Se desejas a aprovação do Mestre, como a viúva pobre conseguiu, lembra-te de uma coisa: precisas colocar tudo a Seus pés, colocar tudo à Sua disposição. E isto, como sendo a expressão espontânea de um amor que, como o de Maria, não pode dar pouco, porque ama.

Todas as minhas ofertas voluntárias! Que prova de carácter. Senhor Jesus! Oh, dá-me a graça para Te amar de tal modo que eu possa saber como tenho de dar.

Tomado Del livro O Dinheiro de Andrew Murray

martes, 19 de julio de 2011

DEUS ME INSPIRA CANÇÕES NA NOITE



Por Charles Spurgeon

Deus, que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite.

Jó 35.10

Qualquer indivíduo pode cantar à luz do dia. Quando a riqueza o cerca com abundância, qualquer homem pode louvar o Deus que lhe dá colheitas abundantes ou abençoa grandemente os seus negócios. É muito fácil para o conjunto de sinos ecoar músicas quando o vento está soprando; o difícil é a música ressoar quando nenhum vento está soprando.

E fácil cantar quando podemos ler a notas à luz do dia, mas aquele que é habilidoso canta do seu coração. Nenhum homem pode fazer uma música na escuridão de sua alma. Ele pode tentar, mas descobrirá que a música à noite tem de ser inspirada por Deus.

Quando todas as coisas vão bem posso entoar canções por onde quer que eu vá, regozijando-me pelas flores que crescem em meu caminho. Todavia, coloquem-me em um deserto onde não cresce qualquer coisa verde, e como poderei cantar um hino de louvor a Deus? Se minha voz é clara e meu corpo, saudável, posso cantar louvor a Deus. Silencie-se a minha língua, seja eu prostrado no leito da enfermidade, como poderei entoar os altos louvores de Deus, a menos que Ele mesmo me inspire as canções?

Não, não está no poder do homem cantar a Deus, quando todas as coisas estão contra ele, a menos que a música do céu encha a sua alma. Foi uma canção divina que Habacuque cantou, quando disse: "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação" (Habacuque 3.17-18).

Visto que nosso Criador nos inspira canções à noite, esperemos nEle para recebermos as músicas. Ó Grande Músico, não permita que permaneçamos em silêncio por causa de nossas circunstâncias. Ajusta os nossos lábios à melodia de ações de graças.

A ORAÇÃO DILIGENTE É O SEGREDO PARA UMA VIDA DE SANTIDADE

Por J. C. Ryle

Entre os verdadeiros cristãos existem grandes diferencia; no exército de Deus nem todos são iguais. É certo que todos se exercitam na boa peleja, mas há uns que lutam mais corajosamente do que outros. Todos estão ocupados na obra do Senhor, mas há uns que fazem mais do que os outros; todos são luz no Senhor, mas há uns que brilham mais do que outros. Todos correm a mesma carreira, mas há uns que chegam mais longe do que outros. Todos amam ao mesmo Senhor e Salvador, mas uns amam-No mais do que outros. Isto não é verdade?

Há pessoas que embora façam parte do povo de Deus, parece que não têm feito progresso qualquer desde o dia em que se converteram. Nasceram de novo, mas espiritualmente permanecem bebés durante toda a sua vida. Assistem à escola de Cristo, mas não passam do ABC do Evangelho e da santidade. Pertencem ao rebanho de Cristo, mas estão sempre no mesmo lugar, não se mexem. Ano após ano podemos observar nelas as mesmas faltas e debilidades. A experiência espiritual dos tais não mudou desde o dia de sua conversão. Só podem tolerar o leite do Evangelho, mas não podem com a comida forte. Sempre a mesma infantilidade na fé, as mesmas fraquezas, a mesma estreiteza mental e de coração, a mesma falta de interesse em algo que transborde o seu pequeno círculo, tudo exatamente igual como à dez anos atrás. São originais, certamente, mas peregrinos como os gabaonitas de antigamente...

Entretanto, há outros entre o do povo de Deus que progridem continuamente... Embora seja triste confessá-lo, não é isto certo?

lunes, 4 de julio de 2011

O CORAÇÃO DE JESUS



Samuel Logan Brengle

"Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas ... Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram..." (Tiago 5:10,11).

Jesus possuía um coração manso e benigno.

Paulo fala da "mansidão e benignidade de Cristo" (2 Coríntios 10:1) e Pedro nos declara que "quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se Àquele que julga rectamente" (1 Pedro 2:23). Ele não se vingou quando foi injuriado; não procurou tão pouco justificar-Se a Si mesmo, mas entregou a Sua causa a Seu Pai Celestial e aguardou resposta. "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a Sua boca; como Cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha, muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a Sua boca" (Isaías 53:7). Essa era a perfeição real da mansidão, que não somente não se vingava quando d'Ele disseram mentiras, mas sofreu os erros mais cruéis e vergonhosos. "A boca fala do que está cheio o coração" (Mateus 12:34) e porque o Seu coração abençoado estava cheio de mansidão, Ele não Se revoltou contra Seus inimigos.

É este o tipo de coração que Jesus deseja que tenhamos quando nos ordena -: "Não resistais ao perverso; mas a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra ... se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas" (Mateus 5:39,41).

Conheço um irmão de cor, muito alto, de peitos largos e braços fortes, o qual foi jogado de um bonde da maneira mais brutal e indecente, onde porém ele poderia estar como o próprio condutor. Alguém que conhecia seu passado de brigas, perguntou-lhe -: "Porque você não briga com ele, Jorge?"

"Não poderia brigar com ele, pois que Deus tirou toda a briga de mim", respondeu Jorge. "Quando você põe sua faca no fogo e tira o fio da mesma, esta não corta mais", acrescentou ele e exultou de alegria.

"Bem-aventurados os mansos" (Mateus 5:5), pois que o Senhor "de Salvação adorna os humildes" (Salmo 149:4).

TOMADO DE http://umavoznodeserto.blogspot.com

O AMOR VENCE

POR Richard Wurmbrand

Uma grande lição permaneceu após todas as surras, torturas e carnificina infligidas pelos comunistas aos cristãos: o espírito é capaz de dominar o corpo. Muitas vezes, ao sermos torturados, sentíamos a dor, mas era como se fosse algo distante e bem dissociado do nosso espírito que estava tomado com a glória de Cristo e a sua presença conosco.

Quando recebíamos uma fatia de pão por semana, e uma tigela de sopa de "água suja" por dia, decidimos que continuaríamos dando fielmente o "dízimo" mesmo nestas circunstâncias. De dez em dez semanas pegávamos a fatia de pão e a entregávamos a alguém que estava mais fraco como nossa oferta ao Mestre.

Um cristão recebeu a sentença de morte. Antes de ser executado, permitiram que visse sua esposa. Suas últimas palavras a ela foram: "Você precisa saber que morro amando aqueles que me matarão. Eles não sabem o que fazem, e meu último pedido é que você os ame também. Não sinta amargura no seu coração porque mataram o seu amado. Encontraremo-nos no céu."

Estas palavras impressionaram o oficial da polícia secreta que estava acompanhando a conversa entre os dois de tal forma que se converteu. Em conseqüência, foi colocado na prisão junto comigo, onde contou-me esta história.

Na prisão de Tirgu-Ocna, havia um prisioneiro muito jovem chamado Matchevici. Estivera ali desde a idade de dezoito anos. Por causa das torturas, estava agora muito doente com tuberculose. Sua família descobriu de alguma forma o seu estado de saúde, e enviou-lhe cem vidros de estreptomicina, que poderiam lhe fazer a diferença entre a vida e a morte.

O oficial político da cadeia chamou o prisioneiro e mostrou a encomenda. Disse-lhe: "Aqui está o remédio que pode salvar sua vida. Mas não é permitido receber encomendas da família. Pessoalmente, gostaria de ajudá-lo. Você é jovem. Não gostaria que morresse na prisão. Ajude-me a ajudá-lo! Dê-me informações contra seus companheiros na prisão, e isto me dará justificativa diante dos meus superiores por lhe ter entregue a encomenda."

Matchevici respondeu sem hesitar: "Não desejo permanecer vivo e ter vergonha de olhar no espelho, pois estaria vendo um traidor. Não posso aceitar tal condição. Prefiro morrer."

O oficial lhe estendeu a mão e disse: "Minhas congratulações. Não esperava que me desse qualquer outra resposta. Mas eu gostaria de fazer outra proposta. Alguns dos prisioneiros se tornaram informantes. Afirmam que são comunistas, e estão denunciando a você. Jogam dos dois lados. Não confiamos neles. Gostaríamos de saber até que ponto são sinceros. Para você foram traidores. Prejudicaram muito sua vida, informando-nos sobre suas palavras e ações. Compreendo que não queira trair seus companheiros. Mas dê-nos informações sobre estes que se lhe opõem, e assim salvará sua vida!"

Matchevici respondeu com a mesma rapidez que tivera na primeira proposta. "Sou um discípulo de Jesus, e ele nos ensinou a amar até nossos inimigos. Estes homens que nos traem realmente nos prejudicam muito, mas não posso pagar o mal com mal. Não posso dar informação nem contra eles. Tenho pena deles, oro por eles, mas não desejo ter qualquer ligação com os comunistas."

Matchevici voltou desta conversa com o oficial e morreu na mesma cela onde eu estava. Estive ao seu lado quando morreu, e morreu louvando a Deus. O amor venceu até mesmo a sede natural pela vida.

Se um homem pobre é um apaixonado por música, dará seu último centavo para assistir a um concerto. Ficará sem dinheiro, mas não sentirá frustração, pois encheu sua alma de sons maravilhosos.

Não me sinto frustrado por ter perdido muitos anos na prisão. Vi muitas coisas belíssimas. Já estive entre pessoas fracas e insignificantes na prisão, mas também tive o privilégio de estar na mesma cela com grandes santos, heróis da fé que se equipararam aos cristãos do primeiro século. Enfrentaram a morte por Cristo com alegria. A beleza espiritual de tais santos e heróis da fé nunca se poderá descrever.

As coisas que estou dizendo aqui não são excepcionais. As coisas sobrenaturais tornaram-se comuns aos cristãos na igreja subterrânea. A igreja subterrânea é a igreja que voltou ao primeiro amor.

Antes de ser preso, eu amava muito a Cristo. Agora, depois de ter visto a "Noiva de Cristo" – seu Corpo espiritual – na prisão, posso dizer que amo a igreja subterrânea tanto quanto amo ao próprio Cristo. Vi sua beleza e seu espírito de sacrifício.

Extraído de Torturado por Cristo, de Richard Wurmbrand. Para maiores informações sobre a igreja perseguida

viernes, 17 de junio de 2011

COMO ORAR

Por Charles Finney

Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Rom 8:26

Pode que perguntes: "Por quem temos de orar assim, com fervor? Queremos saber os casos, as pessoas, os lugares e os tempos se temos de fazer a oração de fé." E eu contesto, como já contestei antes: "Quando tendes a evidência --das promessas, Escrituras, providências ou diretrizes do Espírito-- de que Deus quer as coisas pelas quais orais."

"Não é verdade que há uma promessa de que os pais piedosos podem pedir por seus filhos? Por que, pois, há tantos pais piedosos que têm filhos impenitentes, que morrem em seus pecados?" Admitindo que seja assim, que demonstra este fato? "Que Deus seja veraz, e todo homem mentiroso" (Romanos 3:4). Que vamos crer, que a promessa de Deus falhou ou que estes pais não cumpriram com seu dever? Quiçá não criam a promessa, ou não criam que tivesse o que chamamos a oração de fé. Como seja, sempre que achamos um crente que não acredita em esta oração, vemos, em general, que seus filhos ou outros familiares estão ainda em seus pecados, não conduz um ponto de vista assim ao fanatismo?

Não pensarão muitos que estão oferecendo a oração de fé quando não o estão? Alguns pensam que o têm, e não o têm e são fanáticos. Mas há alguns que conhecem que é a oração de fé, como há os que sabem o que é a experiência espiritual, ainda que alguns que o professem, de coração frio, não o saibam. Inclusive há pastores que se fazem vulneráveis à reprimenda que Cristo deu a Nicodemo: "És tu mestre em Israel e não sabes estas coisas?" (Joao 3:10).

miércoles, 15 de junio de 2011

Preparando Meu Coração Para Aquele Dia

por George Müller

Aprouve ao Senhor ensinar-me uma verdade, que tem beneficiado a minha vida por mais de catorze anos. É o seguinte: percebi, muito mais claramente do que antes, que o assunto mais importante e mais urgente com que tenho de me ocupar a cada dia é conservar a minha alma muito feliz no Senhor. A primeira coisa com que devo me preocupar não é tanto o quanto eu posso servir ao Senhor, mas o quanto eu posso colocar a minha alma num estado de felicidade no Senhor e alimentar o meu homem interior.

Eu poderia procurar servir ao Senhor pregando a verdade aos incrédulos; poderia procurar beneficiar os crentes; poderia cuidar de aliviar os oprimidos. Poderia ainda procurar proceder de tal maneira a me comportar como um filho de Deus neste mundo, e contudo, por não estar feliz no Senhor e não ser alimentado e nutrido no meu homem interior dia a dia, tudo isto poderia não ser praticado corretamente, ou no espírito certo.

Até então a minha prática tinha sido, por pelo menos dez anos antes disso, de habitualmente me entregar à oração logo depois de me vestir de manhã cedo. Agora eu vejo que a coisa mais importante que eu deveria fazer era me entregar à leitura da Palavra de Deus, e nela meditar, de tal maneira que o meu coração pudesse ser confortado, encorajado, aquecido, reprovado, instruído. Percebi que assim, através da Palavra de Deus, enquanto meditava nela, o meu coração poderia ser levado a uma experiência de comunhão com o Senhor.

Comecei, a partir de então, a meditar no texto do Novo Testamento desde o começo, cedo de manhã. A primeira coisa que eu fiz, depois de pedir em poucas palavras a bênção do Senhor sobre a Sua preciosa Palavra, foi começar a meditar na Palavra de Deus, pesquisando em cada versículo para obter dele uma bênção, não para exercitar o ministério público da Palavra, não para pregar sobre aquilo que eu estava meditando, mas para obter alimento para a minha própria alma.

Descobri que, como resultado disso, invariavelmente logo depois de alguns minutos a minha alma era levada à confissão, ou à ação de graças, ou à intercessão, ou à súplica; de tal modo que, embora eu não tivesse inicialmente me dedicado à oração e sim à meditação, contudo eu era levado quase imediata-mente de um jeito ou de outro à oração.

Então, quando eu terminava com a minha súplica, ou intercessão, ou ação de graças ou confissão, eu continuava para os outros versículos, e novamente mergulhava na oração por mim mesmo ou pelos outros, de acordo com o que me guiava a Palavra, mas ainda mantendo diante de mim aquele objetivo da minha meditação, o de obter alimento para a minha alma.

A diferença, então, entre a minha prática anterior e esta atual é isto: antes, quando eu me levantava, eu começava a orar o mais cedo possível, e geralmente gastava quase todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou até todo o tempo. Em todas as ocasiões eu quase invariavelmente começava com oração, a não ser quando eu sentia a minha alma desnutrida, estéril, casos em que eu lia a Palavra de Deus para alimento, ou para refrigério, ou para renovação ou reavivamento do meu homem interior, antes de me entregar à oração propriamente dita.

Mas qual era o resultado disto? Geralmente eu ficava de joelhos quinze minutos, ou meia hora, ou até uma hora, antes de alcançar a consciência de estar recebendo conforto, encorajamento, humildade de espírito, etc., e muitas vezes, depois de ter sofrido com a divagação da minha mente pelos primeiros dez minutos, ou quinze, ou até mesmo meia hora, e então somente aí é que eu começava realmente a orar.

Raramente me acontece isto agora. Com o meu coração alimentado pela verdade, experimentando uma comunhão real com Deus, eu falo com o meu Pai e com meu Amigo (por mais vil que eu seja e indigno disto) acerca das coisas que Ele me trouxe na Sua preciosa Palavra. Muitas vezes eu me admiro agora de que não tenha percebido isto antes.

Pegue esta chave de ouro. Ele o chama. Entre no seu Santo Lugar.


Rendição Absoluta


Por Andrew Murray

Um trechinho de uma excelente leitura não faz mal a ninguém...

Deus espera sua rendição


Sim, isso tem como fundamento a própria natureza de Deus. Ele não pode fazer o contrário. Ora, quem é Deus? Ele é a Fonte da vida, a única origem da existência, do poder e da bondade, e nada há de bom no universo além do que Deus faz. Deus criou o sol, a lua e as estrelas; as flores, as árvores e a grama; e tudo isso não está completamente sujeito a Deus? Eles não permitem que Deus haja neles exatamente como quer? Quando o Senhor veste o lírio com sua beleza, ele não está entregue, rendido, sujeito a Deus enquanto Ele trabalha nele sua beleza? E vocês, filhos redimidos de Deus, oh, podem pensar que Deus poderá fazer sua obra se houver metade ou apenas uma parte sua rendida? Deus não pode fazer isso. Deus é vida, amor, bênção, poder e infinita beleza, e Ele se apraz em comunicar a si mesmo a cada filho que está preparado para recebê-lo; mas, ah! essa falta de rendição absoluta é exatamente o que O impede. E agora Ele vem e, como Deus, Ele exige isso.
Você sabe, da vida cotidiana, o que a rendição absoluta é. Você sabe que tudo deve sujeitar-se a seu propósito específico. Eu tenho uma caneta em meu bolso, e essa caneta está absolutamente entregue à tarefa de escrever, e deve estar absolutamente sujeita à minha mão se eu quiser escrever corretamente com ela. Se outro segurar uma parte dela, não poderei escrever adequadamente. Esse casaco está absolutamente sujeito a mim para cobrir meu corpo. Esse prédio está completamente dedicado aos serviços religiosos. E agora, você espera que em seu ser imortal, na natureza divina que você recebeu pela regeneração, Deus possa fazer sua obra, a cada dia e a cada hora, a menos que você esteja completamente sujeito a Ele? Deus não pode. O Templo de Salomão estava absolutamente sujeito a Deus quando foi-lhe dedicado. E cada um de nós é um templo de Deus, no qual Deus habita e age poderosamente sob uma condição: rendição absoluta a Ele. Deus exige isso, Deus merece isso, e, sem isso, Ele não pode operar sua bendita obra em nós.
Deus não apenas requer isso, mas Deus fará isso Ele mesmo.

Deus opera sua rendição

Tenho certeza que muitos corações devem estar dizendo: "Ah, mas rendição absoluta requer tanto!". Alguém dirá: "Oh, eu passei por tanto sofrimento, por tanta provação, e ainda há tanto do meu ego, e não ouso considerar sua completa rendição, pois sei que isso me causará muita dor e agonia."
Oh, esses pensamentos! Que pensamentos cruéis esses que os filhos de Deus têm a respeito dEle! Eu venho a você, que está temeroso e ansioso, com uma mensagem: Deus não espera que você lhe dê a rendição completa por sua própria força ou pela força de sua vontade; Deus quer operar isso em você. Não lemos que "é Deus quem opera em vós tanto o querer quanto o realizar"? E é isso que devemos buscar: nos prostrarmos perante Deus até que nossos corações aprendam a crer que o Deus eterno virá para expulsar o que está errado, conquistar o que é mal e operar o que apraz sua bendita vontade.
Deus é quem fará isso em você.

martes, 31 de mayo de 2011

O ÚLTIMO SERMÃO



Por Thomas Watson

Em 24 de agosto de 1662, dois mil ministros puritanos do evangelho foram excluídos de seus púlpitos, tendo recebido a ordem de não mais pregarem em público. O Ato de Uniformidade, baixado pelo parlamento inglês, conhecido pelos evangélicos como a Grande Ejeção, pairava por sobre a Inglaterra como uma nuvem espessa. Muitos líderes eclesiásticos da Igreja Anglicana, a religião oficial, estavam forçando os puritanos a cessarem suas prédicas ou a se moldarem à adoração litúrgica decretada por lei. Muitos ministros preferiam o silêncio à transigência.
Com olhos marejados de lágrimas, milhares de cristãos humildes ouviram seu último sermão no domingo imediatamente anterior à data em que o Ato se tornaria lei. E, naquele último domingo de liberdade, os ministros puritanos provavelmente pregaram os seus melhores sermões.
O sermão que passamos a transcrever, de modo um tanto abreviado, foi pregado por Thomas Watson a seu pequeno rebanho.

Antes que eu me vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para vossas almas. Eis as vinte instruções que tenho a dar a cada um de vós, para as quais desejo a mais especial atenção:

1) Antes de tudo, observa tuas horas constantes de oração a Deus, diariamente. O homem piedoso é homem (Sl 4.3), não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Inicia o dia com Deus, visita-O pela manhã, antes de fazeres qualquer outra coisa. Lê as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as tuas manchas e um lavatório onde podes branquear essas máculas. Adentra ao céu diariamente, em oração.

2) Coleciona bons livros em casa. Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual poderás refrigerar-te. Quando descobrires um arrepio de frio em tua alma, lê esses livros, onde poderás ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração.

3) Tem cuidado com as más companhias. Evita qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outrem; mas pode-se apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente transmissível. Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. Está escrito acerca do povo de Israel que se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras (Sl 106.35). As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias!

4) Cuidado com o que ouves. Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, aconselhou-nos:
Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos (Mt 7.15). Sê como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). Aos crentes é mister um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e o guisado colocado à sua frente pelo diabo.

5) Segue a sinceridade. Sê o que pareces ser. Não sejas como os remadores, que olham para um lado e remam para outro. Não olhes para o céu, com tua profissão de fé, para, então, remar em direção ao inferno, com tuas práticas. Não finjas ter o amor de Deus, ao mesmo tempo que amas o pecado. A piedade fingida é uma dupla iniqüidade. Que teu coração seja reto perante Deus. Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua jóia. O salmista disse sobre Deus: Eis que te comprazes na verdade no íntimo; (Sl 51.6).

6) Nunca te esqueças da prática do auto-exame. Estabelece um tribunal em tua própria alma. Tem receio tanto de uma santidade mascarada quanto de ires para um céu pintado. Julgas-te bom porque outros assim pensam de ti? Permite que a Palavra seja um ímã com o qual provarás o teu coração. Deixa que a Palavra seja um espelho, diante do qual poderás julgar a aparência de tua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos.
De noite indago o meu íntimo, disse o salmista (Sl 77.6).

7) Mantém vigilância quanto à tua vida espiritual. O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. O crente precisa estar constantemente alerta. Nosso coração se assemelha a uma pessoa suspeita. Fica de olho nele, observa o teu coração continuamente, pois é um traidor em teu próprio peito. Todos os dias deves montar guarda e vigiar. Se dormires, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas.

8 ) O povo de Deus deve reunir-se com freqüência. As pombas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros (Ml 3.16). Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas.
Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como árvores de santidade. Medram melhor na piedade quando crescem juntos.

9) Que o teu coração seja elevado acima do mundo. Pensai nas coisas lá do; (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto. Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento.

10) Consola-te com as promessas de Deus. As promessas são grandes suportes para a fé, que vive nas promessas do mesmo modo que o peixe que vive na água. As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição.

11) Não sejas ocioso, mas trabalha para ganhar o teu sustento. Estou certo de que o mesmo Deus que disse: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar, também disse: Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Deus jamais apoiou qualquer ociosidade. Paulo observou: Estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão (2 Ts 3.11-12).

12) Ajunta a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e eqüidade para com o próximo. O apóstolo Paulo reúne essas duas idéias, em um só versículo: Vivamos, no presente século justa e piedosamente (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade. Alguns simulam ter fé, mas não têm obras; outros têm obras, mas não têm fé. Alguns se consideram zelosos de Deus, mas não são justos em seus tratos; outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus.

13) Em teu andar perante os outros, une a inocência à prudência. “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). Devemos incluir a inocência em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia; e precisamos incluir sabedoria em nossa inocência, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza. Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros, e que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós nem nos manipulem.

14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos. Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranqüila. Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz. Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete.

15) Foge da idolatria.Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1 Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-te dos ídolos e tem cuidado com as superstições.

16) Não desprezes a piedade por estar sendo ela perseguida. Homens ímpios, quando instigados por Satanás, vituperam, maliciosamente, o caminho de Deus. A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la.

17) Não dá valor ao pecado por estar atualmente na moda. Não julga o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho. Pensamos bem sobre uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos? E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as (Ef 5.11).

18) No que diz respeito à vida cristã, serve a Deus com todas as tuas forças. Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor (Rm 12.11).

19) Faze aos outros todo o bem que puderes, enquanto tiveres vida. Labuta por ser útil às almas de teus semelhantes e por suprir as necessidades alheias. Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo. Ele saiu a fazer o bem. Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima.

20) Medita todos os dias sobre a eternidade. Pois talvez seja questão de poucos dias ou de poucas horas – haveremos de embarcar através do oceano da eternidade. A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna.
A cada dia, passa algum tempo a refletir a respeito da eternidade. Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade. Em conclusão, não devemos superestimar os confortos deste mundo. As conveniências do mundo são muito agradáveis, mas também são passageiras e logo se dissipam. A idéia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. A aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória. Considerai o que vos tenho dito, e o Senhor vos dará entendimento acerca de tudo.

Thomas Watson

O Salvador espera e o mundo carece

Por F.B. Meyer
"Foi quando Stanley Smith e Carlos Studd se hospedaram em nossa casa, que iniciei o maior período de bênçãos da minha vida. Antes eu era crente precipitado e inconstante: às vezes ardia de entusiasmo, para depois passar dias inteiros triste e desanimado. Percebi que esses dois jovens possuíam uma coisa que eu não tinha: algo que lhes era uma fonte perene de sossego, força e gozo. Nunca me esquecerei de uma manhã, no mês de novembro, ao nascer o sol, quando a luz entrava pela janela a dentro do quarto, onde eu meditava sobre as Escrituras desde a madrugada. A palestra que tive, então, com os dois moços, influenciou o resto da minha vida. - Não devia eu fazer o que eles tinham feito?
"— Não devia eu ser, também, um vaso (apesar de ser barro) para o uso do Mestre?"
Assim escreveu o amado e santo pregador F. B. Meyer, sobre a mudança da sua vida que resultou em tanta glória para Cristo, na Terra.
Isso é o que o Salvador espera e que o mundo carece.
Extraído Del livro Heróis da Fé

Bênção

por Charles Wesley.

Ó tu, Senhor, que do alto
trouxeste fogo a nossa terra,
derrama em mim teu amor sagrado,
chama que o coração me acenda;
Que permaneça ardentemente, com
brilho eterno, cintilante; e em canto e
oração fervente, retorne a ti para
louvar-te eternamente.

lunes, 23 de mayo de 2011

AVIVAMENTO EN GALES


POR OSWALD SMITH
Aconteceu em 1904. O País de Gales estava em chamas. A nação se afastara muito de Deus. As condições espirituais eram realmente ruins. A freqüência às igrejas atingira um nível baixíssimo. E o pecado se alastrava por todos os lados.
De súbito, como um furacão inesperado, o Espírito de Deus soprou vigorosamente a terra. As igrejas tornaram-se apinhadas de novo, de tal modo que multidões ficavam impossibilitadas de entrar. As reuniões perduravam das dez da manhã até à meia-noite. Três cultos completos eram realizados todos os dias. Evan Roberts foi o instrumento humano usado, mas havia pouquíssima pregação. Os cânticos, os testemunhos e a oração eram as características preeminentes. Não havia hinários; os hinos haviam sido aprendidos na infância. Tampouco havia corais, pois todos participavam dos cânticos. Nem havia coletas, avisos, anúncios, e nenhum tipo de propaganda.
Nunca antes acontecera algo semelhante no País de Gales, com resultados tão extensos e duradouros. Os incrédulos se convertiam, os beberrões, gatunos e jogadores profissionais eram salvos, e milhares voltavam a ser cidadãos respeitáveis. Confissões de pecados horrendos se faziam ouvir por toda parte, dívidas antigas eram saldadas. Os teatros foram obrigados a fechar as portas, por falta de espectadores. As mulas das minas de carvão se recusavam a trabalhar, tão desacostumadas estavam com o tratamento humano delicado. Em cinco semanas, vinte mil pessoas se uniram às igrejas.

jueves, 19 de mayo de 2011

O EXERCÍCIO DA VONTADE



Por Jonathan Edwards

A prática religiosa foi comparada à realização de exercícios. Por meio dela, lutamos para ter o coração envolvido em Deus. Metáforas como "correndo a carreira", "lutando com Deus", "perseverando para alcançar o alvo" e "combatendo violentos inimigos" são muitas vezes usadas para descrever os exercícios que praticamos.

Entretanto, a verdadeira graça possui vários graus. Alguns são novos na fé — "crianças em Cristo" —, e a inclinação deles para se envolver nesses exercícios é fraca. Contudo, cada um de nós que possua o poder de devoção no coração estará inclinado a buscar as coisas de Deus. Seja qual for nossa condição, esse poder nos dará forças suficientes para superar nossas fracas inclinações de modo que esses santos exercícios prevaleçam sobre nossas fraquezas.

Todo verdadeiro discípulo de Cristo o ama mais que a pai e mãe, irmã e irmão, esposa, marido e filhos, casa e terras — sim, até mesmo mais que a própria vida. Disso se conclui que onde quer que a verdadeira religião se manifeste há uma vontade movendo o cristão aos exercícios espirituais, mas o que dissemos anteriormente precisa ser lembrado: o exercício da vontade não é nada mais que o sentimento da alma.

O Maior Problema é o seu Coração



Por Richard Baxter (1615 - 1691)

Você descobrirá, sempre que iniciar essas responsabilidades divinas, que seu maior obstáculo é seu coração, e ele provará ser falso em um desses quatro aspectos, ou em todos eles.
Primeiro, ele o manterá à distância para que você praticamente nunca o faça trabalhar; segundo, ou, caso contrário, ele o trairá ao ser preguiçoso para realizar esse trabalho, fingindo que realiza esse trabalho quando não o faz; ou terceiro, ele interromperá seu trabalho com suas freqüentes excursões, ao desviar sua atenção para qualquer outro objeto; ou, quarto, ele estraga o trabalho ao interrompê-lo e sair dali antes de você ter alcançado algum benefício. Portanto, previno-o para que resista fielmente a esses quatro perigosos malefícios, ou, caso contrário, tudo que disse até aqui foi em vão.
Você descobrirá que seu coração é bastante relutante para essa responsabilidade, assim acho eu, como para qualquer outro trabalho no mundo. Ó, quando estiver muito convencido da validade desse trabalho, que desculpas ele apresentará; que evasivas descobrirá; e que atrasos e objeções ele impingirá a você. Ou ele questionará se isso é uma responsabilidade, ou não; ou se ela é uma responsabilidade para os outros, embora não o seja para você. Ele evocará qualquer coisa similar à razão para advogar contra essa responsabilidade; ele dirá que essa é uma tarefa reservada aos ministros que não têm nada mais que estudar, para os enclausurados, ou para as pessoas que têm mais tempo para o lazer que você. Se você for ministro, ele lhe dirá: essa responsabilidade é para o povo; basta a você meditar para a instrução de seu coração e permitir que ele medite sobre o que ouviu. Se tudo isso não adiantar para o convencer, seu coração o ocupará com outro assunto: você tem essa companhia que chegou para visitá-lo; ou aquela tarefa precisa ser feita. Pode ser que ele o faça realizar outra responsabilidade e, desse modo, uma responsabilidade interrompe a outra, pois ele prefere fazer qualquer outra responsabilidade a essa. Talvez, ele lhe diga que as outras responsabilidades são mais importantes e, portanto, esta precisa dar lugar às outras, pois você não tem tempo para as duas
O que deve ser feito? Você a faria se lhe dissesse para fazê-la? O que você faria com um servo tão moroso para realizar seu trabalho? Você, primeiro, não o persuadiria, e, depois, o admoestaria, e o castigaria, e o forçaria a fazê-lo, e não aceitaria sua recusa, nem o deixaria em paz até que você conseguisse que ele iniciasse seu trabalho? E você, fielmente, não deveria lidar desse mesmo modo com seu coração? Instigue seu coração do princípio ao fim, persuada-o a trabalhar, não aceite desculpas, admoeste o por causa de sua relutância; use de violência para com ele; faça-o cumprir suas responsabilidades de boa vontade, ou sem boa vontade. Você não tem comando sobre seus pensamentos? Você não consegue escolher o assunto de sua meditação? Utilize a autoridade que Deus lhe deu; dê ordens a seu coração se ele se rebelar, use de violência para com ele. Se você estiver muito fraco, chame o Espírito de Cristo em seu auxílio. Deus estará pronto a ajudá-lo, se você não conseguir ajudar a si mesmo. E, ao fazer isso, verá que seu coração se submeterá; sua resistência será subjugada e sua relutância será transformará em abdicada aquiescência.
Quando você põe seu coração para trabalhar, tenha cuidado para que ele não o iluda ao fazê-lo perder tempo com formalidades; para que não diga: "Eu vou", mas não vá; para que ele não gaste seu tempo à toa, quando deveria estar realmente meditando. Certamente, é bem provável que seu coração o traia nesse ponto, como em qualquer outro, dessa responsabilidade; quando você tem, quem sabe, apenas uma hora para sua meditação, esse tempo será gasto antes que seu coração se empenhe seriamente nessa responsabilidade. Fazer essa responsabilidade dessa maneira, é como se não a tivéssemos realizado, a anula tanto quanto a omissão dela. Matar uma hora com pensamentos preguiçosos e vazios sobre o céu nada mais representa que jogar fora essa hora e enganar a si mesmo. É verdade, o coração de um homem deve ser seguido de perto nessa responsabilidade da meditação como o cavalo no moinho, ou o boi no arado, que não irá mais adiante se você não o chamar ou o castigar. Se você deixar de guiar o coração por um momento, ele não sai do lugar; e, talvez, muitos dos melhores corações tenham esse temperamento.Não permita que nada o impeça, ao importunar seu coração com a constante vigilância e coação, enquanto estiver nesse trabalho; e, ao ver que você tem essa experiência com sua lentidão e relutância, jamais deixe as esporas fora de seu alcance; e sempre que ele relaxar o passo, lembre-se de dar-lhe um aviso.
Da mesma forma que seu coração perde tempo, ele também gosta de fazer digressões. Ele se virará para o lado, como o servo descuidado que conversa com todos que passam por ele. Quando não houver nada em sua mente, exceto o trabalho à mão, ele pensa em seu chamado, em suas aflições, ou em toda árvore, passarinho ou lugar que você vir, ou ainda em qualquer impertinência, em vez de pensar no céu. Seu coração nessa responsabilidade se assemelha ao boi, ou ao cavalo, do fazendeiro: se este não o dirigir, o animal não anda; e se ele não direciona o animal, este não segue o sulco da terra; e tanto faz ele ficar parado ou não seguir a trilha do sulco. A experiência lhe dirá que, em relação a esse ponto, você terá muito trabalho com seu coração para mantê-lo trabalhando por uma hora, sem nenhuma extravagância nem cogitações à toa. A cura aqui é a mesma que a de antes; utilize a vigilância e a violência com sua imaginação e, assim que ela se mostrar, você deve admoestá-la. Diga para seu coração: "Vim até aqui para pensar sobre meus negócios no mundo, para pensar em lugares e pessoas, sobre as notícias, ou a vaidade, sim, qualquer coisa, por melhor que seja ela, que não seja o céu? Você não consegue habitar com Cristo por uma hora de íntima meditação? Quando o copeiro de faraó sonhou que espremeu as uvas maduras na taça do faraó, entregando-a a seguir na mão do rei, foi um sonho feliz e o sentido era que, em breve, teria acesso à presença do soberano. Assim, quando as uvas maduras da meditação divina são espremidas por você na taça dos sentimentos, e esta é posta nas mãos de Cristo com louvores prazerosos, a interpretação--se me considera habilidoso--é esta: você, em breve, será retirado desta prisão onde está e entrará na presença de Cristo na residência real e, ali, servirá a ele uma taça de louvores, mas muito mais cheia e mais doce, por toda a eternidade. Mas se as aves de rapina dos pensamentos errantes devorarem sua meditação direcionada para o céu, elas representarão a morte desse culto, e devorarão a vida e a alegria de meus pensamentos.
Por fim, certifique-se também de observar seu coração nesse culto, para que ele não interrompa o trabalho antes do tempo e fuja dali por causa do cansaço antes do momento devido. Você descobrirá que tem muita propensão a fazer isso, como o boi que gosta de tirar o jugo, ou o cavalo que gosta quando lhe tiram o fardo e, talvez, até lance fora seu fardo e fuja dali. Você pode facilmente perceber isso em outras responsabilidades: se você começa a orar em particular, não é seu coração que o insta a abreviar sua oração e faz com que esteja pronto para ficar de pé assim que se ajoelha? Oras, o mesmo acontece em suas contemplações do céu: assim que consegue elevar seu coração, ele já desce novamente; se fadiga com a tarefa. O que se deve fazer também nesse caso? Oras, a mesma autoridade e determinação que o trouxeram a esse trabalho e o observam durante essa atividade devem também fazê-lo perseverar ali até que o trabalho seja concluído. Exorte-o, em nome de Deus, a ficar ali. Diga-lhe: "Se você parar antes do final da jornada, então não se perderiam todos os passos de sua jornada? Veio até aqui para fazer uma viagem até o céu, na esperança de ter um vislumbre da glória que deve herdar, e, certamente, não gostaria de parar quando estiver quase no topo da montanha, virando-se para voltar antes que tenha esse vislumbre de lá? Você veio até aqui na esperança de falar com Deus e vai embora antes de tê-lo visto? Você veio banhar-se nas correntes da consolação e, para esse fim, despiu-se de seus pensamentos terrenos, mas assim que põe seus pés nelas já vai embora? Você veio espiar a terra prometida: ó não saia dali sem um cacho de uvas que, quando voltar para casa, possa mostrar a seus irmãos como confirmação e encorajamento; você não pode dizer a eles, por experiência própria que essa é uma terra da qual mana vinho e azeite, leite e mel. Permita que eles vejam que você, graças à alegria de seu coração, experimentou o vinho; e que, graças à satisfação de seu semblante, foi ungido com o azeite. Permita que eles vejam que você, graças ao suprimento e à disposição suave e gentil, experimentou o leite da terra; e que, graças à doçura de suas palavras e de sua conversa, saboreou o mel.
Esse fogo celestial derreterá seu coração enregelado e o refinará, retirando as impurezas, a parte terrena, e deixando o resto mais puro e espiritual; mas daí você não pode sair imediatamente de lá, antes que tenha tempo de aquecer ou de arder. Portanto, permaneça no trabalho, até que algo seja feito; até que suas graças produzam efeito, seus sentimentos sejam elevados, e sua alma, renovada com os deleites do alto; ou se você não conseguir alcançar esses objetivos de uma vez, importune-o para chegar mais perto na vez seguinte e não o deixe sair de lá até que sinta a bênção.

GLORIFICANDO A DEUS NO FOGO


POR GEORGE WHITEFIELD

O fogo, meus irmãos, não apenas queima e purifica, mas, como você sabe, separa uma substância da outra, sendo utilizado na química e na mecânica. O que poderíamos fazer sem o fogo? Ele refina o metal, a fim de purificá-lo. O Deus todo poderoso sabe: freqüentemente somos mais purificados, em determinado momento, por intermédio de uma saudável provação do que por meio milhares de demonstrações de seu amor. É algo excelente sair purificado e perdoado da fornalha de aflição; seu propósito é nos purificar, a fim de separar o precioso do vil, o joio do trigo. E Deus, para realizar isso, se agrada em colocar-nos em um fogo após o outro. Isto me faz apreciar a ocasião em que vejo um bom homem passando por aflições, porque ensina algo sobre a maneira como Deus age no coração.
Lembro que, há alguns anos, quando preguei em Shields, próximo a Newcastle, no norte da Inglaterra, entrei em uma fábrica de vidro. Permanecendo muito atento, pude contemplar várias peças de vidro quente com diversas formas. O operário pegou uma das peças de vidro e a colocou em uma fornalha; depois, em outra; e, posteriormente, em uma terceira. Quando perguntei-lhe: .Por que você está colocando esse vidro em tantas fornalhas?., ele me respondeu: .Colocá-los apenas na primeira ou na segunda não é suficiente; por esta razão, eu o coloquei na terceira: isso torna o vidro transparente.
Ao afastar-me do operário, ocorreu- me que aquele acontecimento daria um bom sermão: .Ora, esse homem colocou o vidro em uma fornalha após a outra, a fim de que pudéssemos ver através dele. Oh! Que Deus me coloque em uma fornalha após outra, para que minha alma seja transparente, e eu O veja como Ele é.
Meus irmãos, precisamos ser purificados; a nossa tendência é de querer ir ao céu em uma cama macia; mas o caminho do Rei para muitos consiste em um leito de dores e abatimento. Conforme sabemos, há várias estradas em Londres chamadas .caminhos do Rei., e foram excelentemente construídas com pedras. Mas o caminho do Rei para o céu está repleto de cruzes e aflições.

miércoles, 18 de mayo de 2011

DEUS FALA COM O HOMEN QUE MOSTRA INTERESSE



Por A.W.TOZER

A Bíblia foi escrita em lágrimas e aos que choram revelará os seus melhores tesouros. Deus nada tem a dizer ao indivíduo frívolo.
Foi a Moisés, um homem atemorizado, que Deus falou no mon¬te, e esse mesmo homem mais tarde salvou a nação quando se prostrou diante de Deus oferecendo-se para que seu nome fosse apagado do livro divino a favor de Israel. O longo período de jejum e oração de Daniel fez com que Gabriel descesse dos céus e lhe contasse o segredo dos séculos, Quando o amado João chorou muito por não haver ninguém digno de abrir o livro de sete selos, um dos anciãos confortou-o com as alegres novas de que o Leão da tribo de Judá tinha vencido.
Os salmistas com freqüência escreviam chorando, os profetas mal conseguiam ocultar sua tristeza, e o apóstolo Paulo em sua epís¬tola alegre aos filipenses, derramou lágrimas ao pensar nos muitos inimigos da cruz de Cristo cujo fim seria a destruição eterna. Os líderes cristãos que abalaram o mundo foram todos homens de dores, cujo testemunho à humanidade brotou de corações pesados. Não existe poder nas lágrimas em si, mas as lágrimas e o poder sempre estiveram juntos na Igreja dos Primogênitos.
A idéia de que os escritos dos profetas abatidos pela tristeza são muitas vezes estudados por pessoas simplesmente curiosas, que jamais derramaram uma única lágrima pelos males do mundo não é de modo algum animadora, Elas especulam sobre os acontecimentos fu¬turos, esquecendo-se de que o único propósito da profecia bíblica é preparar-nos tanto moral como espiritualmente para o momento que virá.
A doutrina da volta de Cristo está sendo negligenciada, e pelo que posso constatar ela não exerce hoje qualquer poder sobre os cristãos comuns. Alguns fatores contribuem certamente para isto: mas o principal, em minha opinião, foi o infortúnio sofrido pela verdade profética entre as duas guerras mundiais, quando homens de olhos secos decidiram instruir-nos a respeito dos escritos dos profetas lacrimosos. Multidões e ofertas generosas foram o resultado até que os acontecimentos provaram o erro dos mestres em um grande núme¬ro de pontos; a reação não se fez demorar e a profecia entrou em desfavor junto às massas. Este foi um truque engenhoso do diabo e funcionou muito bem. Devemos aprender que não é possível tratar das coisas santas negligentemente sem sofrer as conseqüências.
Outra esfera em que os homens sem lágrimas nos prejudicaram muito foi na oração pelos doentes. Sempre houve homens reveren¬tes, compenetrados, que julgaram ser um dever sagrado orar pelos doentes para que pudessem ser curados segundo a vontade de Deus. Foi dito que as orações de Spurgeon levantaram mais doentes do que as ministrações de qualquer médico de Londres. Quando os promotores de olhos secos se apossaram da doutrina, ela foi trans¬formada num negócio lucrativo. Homens de maneiras suaves, persuasivas, usaram métodos de venda superiores a fim de fazer grandes fortunas com suas campanhas. Suas grandes propriedades e esplên¬didos investimentos financeiros provam como tiveram êxito cm se¬parar os doentes e os sofredores do seu dinheiro. E tudo isto em nome do Homem de Dores que não tinha onde repousar a cabeça.
Tudo que é feito sem envolver o coração é feito nas trevas, não importa quão bíblico pareça ser. Pela lei da justa compensação. o coração do que brinca com assuntos religiosos será destruído pelo brilho excessivo da verdade em que tocar. Os olhos sem lágrimas serão finalmente cegados pela luz que contemplam.
Nós que pertencemos às igrejas não-lítúrgicas temos a tendên¬cia de considerar com certo desdém aquelas igrejas que seguem uma forma de serviço cuidadosamente prescrita, e certamente deve haver muito em tais serviços que tem pouco ou nenhum significado para o participante comum — isto não se deve ao fato de ser progra¬mado com detalhes, mas porque o participante comum é o que é. Observei, entretanto, que nosso serviço improvisado, planejado pelo líder vinte minutos antes, com freqüência tende a seguir uma ordem deprimente, cansativa, quase tão padronizada quanto a Missa. O ser¬viço litúrgico é pelo menos belo, enquanto o nosso quase sempre se destaca por ser feio. O deles foi cuidadosamente elaborado através dos séculos a fim de capturar o máximo de beleza possível e pre¬servar um espírito de reverência entre os adoradores. O nosso é com freqüência algo provisório, sem nada que o recomende. A sua proclamada liberdade não passa de simples relaxamento.
Em teoria, quando a reunião não é planejada, o Espírito Santo opera livremente e isso seria verdadeiro se todos os adoradores mos¬trassem reverência e fossem cheios do Espírito. Mas na maioria das vezes não há ordem nem Espírito, apenas uma oração de rotina que, exceto por pequenas variações, é sempre a mesma, semana após semana, e alguns hinos que já não eram muito bons desde o início t com o tempo perderam todo o seu significado pela repetição.
Na maioria de nossos cultos dificilmente existe um traço de pen-samentos reverentes, nenhum reconhecimento da unidade do corpo, e pouco ou nenhum senso da Presença divina, nenhum momento de quietude, solenidade, admiração, temor santo. No geral, o que existe é um regente de cânticos distraído, que tenta fazer graça, e um encar¬regado que anuncia cada "número" como num programa radiofônico, esforçando-se para dar continuidade ao espetáculo.
Toda a família cristã está necessitando desesperadamente de uma restauração da penitência, da humildade e das lágrimas. Possa Deus enviá-las muito em breve.


TOMADO DEL LIVRO O Melhor de A. W. Tozer

DESEJAS SER FELIZ?



Por Jeremiah Burroughs (1599-1646).


Todos nós desejamos ser felizes, porém percebemos que isso não é fácil. O problema é que queremos possuir tudo o que este mundo oferece, na expectativa de que isso nos trará felicidade. O apóstolo Paulo tinha uma atitude bem diferente. Ele escreveu: "... já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância" Na linguagem de hoje diríamos: "aprendi o segredo de estar contente em toda e qualquer situação". (Filipenses 4:11).

Deus é a única fonte de felicidade verdadeira. Ele não necessita de nada nem de alguém para fazê-Lo feliz; mesmo antes de criar o mundo, as três pessoas da Trindade eram completamente felizes entre Si. O que Deus faz para os cristãos é torná-los tão felizes quanto Ele é. Isso é necessário porque eles não são bons ou fortes o suficiente para se fazerem felizes. Deus lhes dá tudo de que precisam, como João escreveu: "... todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça" (João 1:16). Desta maneira, os cristãos podem sempre estar contentes, pois, mesmo quando possuem pouco daquilo que este mundo oferece, eles têm as bênçãos espirituais que Deus nos dispensa. Em Cristo eles têm tudo que necessitam.

Essa felicidade cristã é por vezes chamada de contentamento. A Bíblia diz: "E, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação..." (I Timóteo 6:6-9a). "Seja vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5).

A primeira coisa que podemos dizer sobre esta felicidade cristã é que ela vem de dentro. É possível dar a impressão de que, devido não estarmos reclamando, estamos contentes com que Deus nos tem dado, quando na verdade lá no fundo ainda estamos descontentes. Mas Deus, é claro, sabe o que pensamos. Davi disse: "Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus" (Salmos 62:5), porque ele sabia que esta era a única maneira pela qual podia realmente ser feliz. De igual modo esta confiança em Deus, esta felicidade que vem de dentro dos cristãos, os afeta completamente. Davi sabia que Deus estava no controle de todas as coisas; entretanto ainda pode se sentir deprimido porque ele não permitiu que esta verdade influenciasse verdadeiramente sua forma de pensar. Por isso ele escreveu "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?" (Salmos 42:5). Como ele, temos que pôr nossos corações naquele contentamento que come ça dentro de nós e nos torna completamente felizes, semelhantes ao calor do corpo envolto pelo cobertor o qual nos mantém totalmente aquecidos. E da mesma maneira que nos sentimos aquecidos quando estamos usando roupas de inverno, assim também a felicidade cristã é algo que continua indefinidamente.

Uma outra coisa que podemos dizer sobre a felicidade cristã é que ela ainda está presente até mesmo quando ocorrem as tragédias. Os cristãos se sentem tristes quando estão em dificuldade exatamente como outras pessoas. Quando os outros estão passando por problemas, os cristãos se compadecem deles. Eles oram pelos que sofrem, e é bom fazer isso, porque o Senhor Jesus, que sofreu quando tentado, "é poderoso para socorrer os que são tentados" (Hebreus 2:18). Embora eles orem a Deus, cristãos maduros que enfrentam problemas não resmungam. Quando são tentados a fazer isso, eles conseguem se controlar. Não reclamam acerca de Deus; pelo contrário, obedecem e amam a Deus. Se falam de seus problemas, eles o fazem em oração, pois ainda acreditam que Deus pode ajudá-los.

Um terceiro aspecto importante da felicidade cristã é o fato de que ela é uma obra de Deus. Ela não é o resultado dum temperamento feliz por natureza, nem tampouco duma recusa de se envolver com o que está acontecendo ao redor. Até mesmo os incrédulos fazem isso, tentando não ficar preocupados. Todavia, a felicidade cristã é muito mais do que "tentar não ficar preocupado"; também tem um elemento positivo. O cristão deseja ser feliz continuamente, pois isso glorifica a Deus.

Por conseguinte, uma quarta coisa que podemos afirmar com relação à felicidade cristã é que aquilo que torna o cristão realmente feliz consiste em fazer a vontade de Deus. Os cristãos não são obriga dos a obedecerem a Deus. Eles o fazem voluntariamente e encontram nisso o que os torna felizes. Quando param para meditar, percebem que nada pode fazê-los felizes como se submeterem à vontade de Deus. Eles se contentam em deixar que Deus planeje o futuro, mesmo se Seus planos diferem daquilo que eles esperam realizar. Na verdade, eles preferem os planos de Deus aos seus próprios, pois sabem que Ele conhece o que é bom para eles muito mais que eles mesmos. Acima de tudo Ele os entende melhor que eles mesmos! Os incrédulos, que crêem que seu destino está nas suas próprias mãos, só têm de temer o futuro, já que um único deslize pode levá-los ao desastre, ao passo que os cristãos não têm o que temer: eles podem entregar o futuro a Deus e então se deleitarem na Sua orientação. Salomão escreveu: "Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento, reconhece-o em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas" (Provérbios 3:5-6). Sabendo que Deus está no controle faz os cristãos felizes enquanto estão em dificuldades, tanto como depois quando olham para trás e vêem como Deus os dirigiu.

Além disso esta felicidade cristã persiste, seja qual for o tipo de dificuldade sofrida. Os cristãos não têm o direito de decidirem que espécie de sofrimento irão experimentar; não podem dizer, por exemplo, que estão preparados para perderem suas posses, mas não sua saúde. São felizes, não importa o sofrimento que possa vir. Talvez um sofrimento venha após outro até que suas vidas pareçam ser feitas de problemas; entretanto, lá no fundo do coração eles ainda se encontram verdadeiramente felizes. Pode dar-se o caso de seus problemas parecerem não ter mais fim mas mesmo assim lá no íntimo são felizes. E Deus, que planejou integralmente suas vidas, é glorificado nisso